Entenda a importância de desacelerar para ter qualidade de vida
Que o mundo está acelerado, todos nós concordamos. Tudo é correria, tudo é para ontem. Ver filmes longos, ouvir áudios grandes, ler livros densos… Ações que estão deixando de fazer parte de nossas rotinas. Hoje, a onda são vídeos curtíssimos, áudios acelerados, livros pequenos, tudo para ganhar tempo e ter um consumo “fast”. Ou seja, o modo 2.0x virou uma tendência.
A vida se tornou urgente. Quer saber o porquê? Confira mais detalhes nos tópicos abaixo.
Será que você está “adiantando a vida”?
Vivemos na angústia de que o agora não faz sentido e alimentamos a necessidade de apressar as coisas, como se fosse possível “adiantar a vida”, na busca por resultados mais imediatos.
O olhar está sempre voltado para o futuro, ou para o que ainda vai acontecer ou pode acontecer. Um exemplo disso é a prática de acelerar vídeos ou áudios de WhatsApp, além do consumo constante das redes sociais. Práticas modernas que denunciam ações automatizadas.
Porém, estamos esquecendo do básico: apreciar os pequenos detalhes e estar presente, de corpo e alma, nas conexões, ouvindo com o coração e enxergando com a alma.
Quais são os impactos dessas atitudes no comportamento do ser humano?
Em primeiro lugar, podemos citar o excesso de ansiedade como um dos maiores indicativos provocadores dessas práticas. Isso se deve, nos últimos tempos, ao número de pessoas acometidas por sintomas e sensações desagradáveis relacionadas à ansiedade e ao estresse agudo ter aumentado consideravelmente, evidenciando que os transtornos ansiosos têm sido apontados como alguns dos desequilíbrios mentais mais comum entre as pessoas.
Acelerar um vídeo ou um áudio do WhatsApp, por exemplo, à primeira vista, parece ser uma solução para os longos registros enviados pelos interlocutores e autores mais prolixos. No entanto, esse “acelerar” é apenas mais um sintoma da ansiedade com a qual estamos lidando na vida. Ouvir um áudio acelerado é um estímulo externo que avisa o sistema para ficar em alerta.
Então, inconscientemente, você avisa ao sistema nervoso para permanecer acelerado. Mas nós não temos o botão de desligar. O que é extremamente prejudicial, pois você vai ativar um aceleramento no seu organismo.
Tanto que, após ouvir um áudio acelerado ou ver apenas vídeos curtíssimos, a tendência é que o indivíduo continue acelerado, mesmo que não perceba. Tal comportamento acarreta mais um componente de sobrecarga mental, sendo que, ao final do dia, pode supervalorizar a sensação de frustração por não ter dado conta de tudo.
No que esse aceleramento resulta?
O resultado é a geração de estímulos que nos fazem acreditar que poderíamos fazer mais, produzir mais, alimentando o sentimento de que estamos sempre devendo, sendo que o dia continua tendo 24 horas.
Ou seja, é possível afirmar que acelerar áudios e vídeos desperta um estado de hipervigilância, gerando gatilhos que desembocam em uma possível crise de ansiedade, ou até mesmo pânico e exaustão mental.
Enfim, colocar a vida em modo 2.0x estimula ações que consideramos inofensivas, mas que enviam mensagens subliminares ao nosso cérebro, alterando o comportamento e modificando sentimentos e emoções. Desacelere a vida, mantenha o foco e não busque consumir apenas o que é “fast”.
Além disso, evite enviar áudios em forma de podcast para as pessoas. E, ao ouvi-los, nunca os acelere. Entenda o quanto esse ato simples pode impactar sua saúde mental e o ritmo de seu dia. A aceleração de tudo promove a sociedade do cansaço, doente psicologicamente.
Se você está passando por uma situação como essa, preencha seus dados neste formulário para se cadastrar na lista de espera para novos pacientes.
Dra. Andrea Ladislau / Psicanalista