Andrea Ladislau

Elevação de casos de feminicídio reforça a necessidade do autocuidado emocional

Reflexões sobre saúde mental, autoestima e a urgência de combater a violência contra a mulher

Nos últimos anos, estudos estatísticos e o noticiário têm evidenciado um aumento preocupante nos casos de feminicídio no Brasil. Dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revelam que a violência contra a mulher cresce, em média, de 1,6% a 2% ao ano, resultando em 1,4 mulheres mortas a cada 100 mil. 

Essa triste realidade é consequência direta de relações tóxicas e da violência doméstica, muitas vezes culminando em tragédias e deixando profundas sequelas psicológicas nas vítimas.

Os impactos das relações abusivas na saúde mental

As relações abusivas não escolhem classe social, idade ou contexto, podendo afetar qualquer pessoa. Do ponto de vista da saúde mental, vítimas desse tipo de relação frequentemente sofrem com sintomas de depressão, ansiedade, alterações de humor, transtornos alimentares, insônia e até problemas físicos, como queda de cabelo e problemas de pele. 

A complexidade dessas relações reside nas interações humanas, onde a confiança e as expectativas podem ser exploradas de maneira manipuladora, criando um ciclo de sofrimento.

A dificuldade de romper o ciclo de abuso

Muitas mulheres, em tentativas frustradas de salvar relações abusivas, acabam se anulando e vivendo para agradar o agressor. O medo de denunciar, de sofrer mais violência ou de enfrentar julgamentos sociais as impede de buscar ajuda e as mantém reféns de um destino trágico. É importante reconhecer que agradar ou mudar o outro é uma tarefa impossível, e a permissão para a toxicidade pode ter consequências fatais.

Autoavaliação e amor-próprio: o caminho para a libertação

Para sair de uma relação abusiva, o primeiro passo é o resgate da autoestima e do amor-próprio. Não permitir abusos físicos ou emocionais é um ato essencial de autocuidado. 

Além disso, a ajuda de um profissional de saúde mental é indispensável para fortalecer a coragem e recuperar a personalidade, permitindo que a vítima retome sua autonomia emocional. Denunciar aos órgãos competentes, desde a primeira ameaça, é um ato de proteção que pode salvar vidas.

Um basta à violência contra a mulher

A violência contra a mulher, seja física ou psicológica, não pode mais ser tolerada. Precisamos, enquanto sociedade, promover um movimento que valorize o autocuidado emocional e encoraje as vítimas a buscar ajuda e a denunciar seus agressores. Dar um basta ao feminicídio e à perpetuação da violência é um compromisso que começa com o resgate da autoestima e a conscientização coletiva.

Dra. Andrea Ladislau 

Psicanalista